Relatório da Polícia Federal indica que ex-banqueiro do Banco Master teve acesso a informações sigilosas e articulou medidas antes da Operação Compliance Zero
A Polícia Federal (PF) revelou novos detalhes sobre as movimentações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nos dias que antecederam a Operação Compliance Zero, investigação que resultou em sua prisão.
Segundo documento que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10), os investigadores afirmam que Vorcaro teria tido conhecimento antecipado da operação policial e realizado articulações consideradas suspeitas antes do cumprimento dos mandados judiciais.
De acordo com a PF, os registros encontrados no celular do empresário indicariam que ele acompanhava informações internas relacionadas à investigação, incluindo nomes de agentes federais envolvidos em reuniões reservadas.
PF aponta possível acesso a informações sigilosas
O relatório afirma que Vorcaro teria registrado em seu telefone dados sobre integrantes da Polícia Federal que participaram de encontros com representantes do Banco Central.
Para os investigadores, esses registros levantam suspeitas de que o ex-banqueiro possuía informações que não deveriam estar disponíveis ao público.
A PF também identificou anotações feitas dias antes da operação envolvendo a proximidade de pessoas ligadas ao processo e autoridades responsáveis pelas decisões judiciais.
Mudança de planos antes da prisão
Um dos principais pontos destacados no documento é a alteração da agenda de viagem de Vorcaro na véspera da operação.
Segundo a investigação, após receber mensagens do advogado Walfrido Warde, o empresário teria mudado seus planos e organizado uma viagem internacional.
Na noite de 17 de novembro, ele foi localizado no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um avião particular com destino aos Emirados Árabes.
Para a Polícia Federal, a viagem indicaria uma tentativa de deixar o país antes da ação policial.
Conversas e articulações antes da operação
O relatório também descreve contatos mantidos por Vorcaro com diferentes interlocutores no período anterior à operação.
A PF afirma que ele buscou informações sobre a investigação, conversou com seu advogado e tentou obter acesso ao conteúdo do inquérito.
No mesmo período, segundo os investigadores, houve articulações envolvendo uma possível negociação do Banco Master com o Grupo Fictor.
A Polícia Federal afirma que a movimentação ocorreu em um momento considerado estratégico, próximo à deflagração da operação.
Prisão e novas investigações
A Operação Compliance Zero foi deflagrada oficialmente em novembro de 2025, após autorização judicial.
Vorcaro chegou a ser solto posteriormente por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), mas voltou a ser preso em março de 2026 após novos pedidos apresentados pela Polícia Federal.
No relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirmou que os elementos reunidos indicariam articulações para evitar os efeitos da investigação.
Segundo os investigadores, o caso envolve suspeitas de acesso antecipado a informações processuais, contatos com integrantes de órgãos públicos e planejamento de saída do país antes da operação.
Diálogos com ministro do STF também aparecem em relatório
O documento também cita conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, as mensagens indicariam que Vorcaro questionou sobre a possibilidade de deixar o país antes de uma eventual operação.
Em uma conversa registrada pela investigação, o empresário teria perguntado se deveria estar fora do Brasil na segunda-feira seguinte.
As informações fazem parte do conjunto de documentos relacionados ao chamado caso Banco Master, cuja investigação teve novos detalhes divulgados após a retirada do sigilo judicial.
