Interrupções frequentes durante a noite podem causar cansaço, irritabilidade, dificuldades de concentração e afetar o relacionamento do casal
Dormir ao lado de alguém que ronca pode parecer apenas um incômodo noturno, mas especialistas alertam que o problema pode ter consequências importantes para a qualidade do sono e o bem-estar de quem divide a cama com o roncador.
O ronco acontece quando tecidos das vias aéreas superiores vibram durante a passagem do ar enquanto a pessoa dorme. Embora seja bastante comum, o problema muitas vezes é ignorado ou tratado apenas como uma situação desagradável dentro do relacionamento.
O impacto, porém, pode ir além do barulho.
Sono interrompido prejudica recuperação do organismo
Durante a noite, o organismo passa por diferentes fases do sono, incluindo estágios profundos essenciais para a recuperação física e mental.
Quando o ronco provoca despertares frequentes, mesmo que breves, a pessoa pode não permanecer tempo suficiente nas fases mais restauradoras.
O resultado é acordar cansado, mesmo depois de passar várias horas na cama.
Além disso, o sono fragmentado pode comprometer processos importantes do cérebro, como o armazenamento das informações adquiridas durante o dia.
Com isso, podem surgir dificuldades de memória, concentração e atenção.
Irritabilidade e estresse também podem aumentar
Dormir mal repetidamente também interfere nos mecanismos cerebrais relacionados ao controle das emoções e do estresse.
Especialistas apontam que pessoas expostas frequentemente ao ronco do parceiro podem apresentar maior irritabilidade, cansaço, baixa disposição e menor capacidade para lidar com situações estressantes durante o dia.
A alteração do sono também pode afetar a regulação hormonal, contribuindo para mudanças nos níveis de energia e motivação.
Sensação de “ressaca” após uma noite ruim
Uma das pessoas ouvidas na reportagem original relatou que acordava frequentemente após noites interrompidas pelo ronco do parceiro sentindo-se confusa e atordoada.
Segundo ela, em algumas ocasiões, a sensação era semelhante à de uma ressaca, tamanha a falta de descanso.
A situação também provocava tensão dentro do relacionamento, especialmente porque as tentativas de interromper o ronco ou mudar a posição do parceiro aconteciam várias vezes durante a madrugada.
Casais chegam a dormir em quartos separados
Quando o problema se torna constante, alguns casais optam por dormir separados como forma de preservar a qualidade do sono.
Embora essa estratégia possa ajudar no descanso, especialistas destacam que a decisão pode provocar impactos na convivência e na intimidade caso não seja discutida de maneira aberta.
A recomendação é evitar simplesmente conviver com o problema por longos períodos.
Ronco pode indicar apneia do sono
Outro ponto importante é descobrir se o ronco é apenas um quadro isolado ou se está relacionado à apneia obstrutiva do sono.
A condição provoca interrupções recorrentes da respiração durante o sono e precisa ser avaliada por profissionais de saúde.
Dependendo do diagnóstico, o tratamento pode envolver equipamentos como o CPAP, dispositivos orais personalizados e, em determinadas situações, procedimentos cirúrgicos.
Mudanças de hábitos também podem ajudar
Em casos de ronco sem apneia, algumas medidas podem contribuir para reduzir o problema.
Entre elas estão mudanças no estilo de vida e controle de fatores que favorecem a obstrução das vias aéreas.
Profissionais também podem recomendar dispositivos bucais específicos, desenvolvidos para melhorar a passagem do ar enquanto a pessoa dorme.
Especialistas reforçam que o ronco persistente não deve ser encarado apenas como uma inconveniência dentro do casal.
Quando começa a interferir na qualidade do sono, na rotina diária ou no relacionamento, investigar a causa pode ser fundamental tanto para quem ronca quanto para quem dorme ao lado.
