Levantamento aponta que grande parte dos conteúdos políticos produzidos com IA circulou nas redes sem informar ao público que houve uso da tecnologia
O avanço da inteligência artificial na campanha eleitoral brasileira está aumentando a preocupação de especialistas com a identificação de conteúdos manipulados ou produzidos artificialmente.
Um levantamento do Observatório IA nas Eleições, iniciativa da Data Privacy Brasil e do Aláfia Lab, analisou 413 publicações políticas feitas com recursos de inteligência artificial entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026.
Falta de identificação
Segundo o estudo, quase dois em cada três conteúdos analisados circularam sem informar de maneira adequada que inteligência artificial havia sido utilizada.
A ausência dessa identificação é um dos principais pontos de atenção porque dificulta que o eleitor consiga diferenciar uma imagem, áudio ou vídeo verdadeiro de um material criado ou alterado digitalmente.
Sátira e desinformação
Dos 413 conteúdos avaliados, cerca de 250 foram classificados como sátira, geralmente utilizados para ridicularizar personagens políticos. Outros 163 apresentaram características de desinformação.
Especialistas destacam que o crescimento das ferramentas generativas torna a fiscalização mais complexa, principalmente quando as publicações são compartilhadas rapidamente entre diferentes plataformas.
Desafio para as eleições
A tendência é que o tema continue ganhando relevância durante a reta final da campanha. Além da atuação das autoridades eleitorais, pesquisadores defendem maior transparência das próprias plataformas na identificação de conteúdos sintéticos.
O debate envolve não apenas a tecnologia, mas também a capacidade dos eleitores de reconhecer materiais alterados e tomar decisões com acesso a informações verificáveis.
